As microempresas e a pseudo-vontade de aderir os padrões.

Igor Escobar on Fev 28th 2008

Acredito que a grande maioria de vocês, senão todos vocês, começaram de baixo, em uma empresa pequena, com poucos funcionários porém lutadora.

De todas as pequenas que trabalhei, lembro-me que a Web 2.0 era (e ainda é) utilizada como uma forma de atrair e conseguir clientes, era Web 2.0 aqui, Web 2.0 lá, os donos das empresas utilizavam o termo, mais nem sabiam ao certo, que ele queria dizer, eles só sabiam que isso estava atraindo a curiosidade dos clientes e eles depositavam as suas esperanças nessa tal de Web 2.0 (na época) a Web 2.0 já estava sendo muito bem falada, estruturada e aplicada por algumas grandes empresas que possuíam uma boa organização e principalmente maturidade.

Era mais ou menos igual aquela propaganda da escova de dentes com o limpador de línguas: - Quando crescer, vou querer ser como você.

Tudo bem, admirar não faz mal a ninguém, mas a maioria das empresas acabavam dando um passo maior que as pernas para poder logo sair contando para os clientes que podem desenvolver sistemas utilizando os conceitos que a Web 2.0 trazia.

A Mudança

Toda empresa esta familiarizada principalmente os lideres a desenvolver sites da forma tradicional, abrir um editor WYSIWYG (Ex: Dreamweaver) e sair criando tabelas, inserindo as imagens do layout, os textos etc, sem nem olhar o que esta sendo criado por trás. Este era o cenário a anos atrás.

São poucas as microempresas que possuem maturidade o suficiente para entender o passo que é começar a desenvolver utilizando conceitos da Web 2.0.

O cronograma aumenta, mais processos no ciclo de vida do projeto são acrescentados, pessoas precisam ser contratadas (dependendo do caso), documentação aumenta, o paradigma do desenvolvimento fica mais complexo e detalhado…tudo aumenta.

Toda essa adição de pessoas, processos e complexibilidade é consecutivamente convertida em mais despesas e mais tempo aplicado a um único projeto. As micros querem isso? na visão deles é Web 2.0 pra todos os lados na cabeça do cliente, e o melhor, sem adição no custo, e no prazo.

Quem apanha no final?

O coitado do programador que tem que fazer milagres em um curto intervalo de tempo, o coitado do cliente, que só queria o site dele prontinho em Web 2.0.
Mas quem toma o maior prejuízo no final, é a própria empresa que acaba tendo que gastar muito mais do que o vendido para o cliente, principalmente para correção de bugs e melhorias de processos que não ficou como o cliente esperava ou de acordo com a realidade da empresa.
Resultado: O Cliente fica insatisfeito, desiludido com essa tal de Web 2.0, nunca mais volta a ser cliente da empresa, fala mal de você para toda a direção da empresa e dependendo do desgaste até para a família.

A Web 2.0 trás conceitos inovadores que podem tornar uma pequena empresa, em uma grande empresa criadora de soluções e ideias. Mas toda essa força e os seus “benefícios” pode se virar contra a própria empresa e contra o seu próprio usuário, se a empresa não possui um processo sólido, com foco principalmente, no ciclo de vida de um projeto.

Para quem já trabalhou em uma pequena empresa, na época do boom empresarial em prol da Web 2.0, sabe o que eu estou falando.

Claro, que este cenário hoje já esta mudando muito, mas o velho ditado diz: Antes de melhorar, vai piorar…muito!

Tem empresas que aprendem na prática, outras aprendem na teoria para apanhar menos na prática ou caem naquilo que eu falei anteriormente, contratar mais pessoas!
Aplicar os conceitos da Web 2.0 nos seus projetos é uma questão de puro planejamento e estratégia se você entrar nessa só por entrar e ficar com um pé na web 2.0 e outro na 1.0 isso só vai fazer a sua empresa afundar e se comprometer cada dia mais com seus clientes.

Esta é uma visão minha, baseando-se em todas as pequenas empresas que eu trabalhei, se alguém possui um ponto de vista diferente e queira compartilhar, por favor, os comentários são abertos e muito bem aceitos.

Espero ter contribuído!
[]’s

Filed in Negócios, web 2.0 | 7 responses so far

7 Responses to “As microempresas e a pseudo-vontade de aderir os padrões.”

  1. Cesar Zeppini Fev 29th 2008 at 02:54 pm 1

    Cara, desculpa, mas você usou o termo errado pra isso que você está falando. Isso a que você está se referindo é WEBSTANDARDS e não Web 2.0. Web 2.0 não é um termo técnico nem um conjunto de normas de desenvolvimento. Aliás, web 2.0 não tem NADA A VER com HTML, ou desenvolvimento nem nada disso. Isso é webstandards.

    Web 2.0 nada mais é do que um CONCEITO. Antigamente a relação era humano X computador, onde as pessoas recebiam informações passivamente e não podiam colaborar e nem interagir com aquela informação passada. Hoje em dia as pessoas podem interagir com o site (fórum), com as informações (blog), com as pessoas que geram as informações (comunidades), e assim por diante. Ou seja, a relação hoje em dia é humano X humano ATRAVÉS do computador. As pessoas deixaram de agir passivamente e começaram a agir ativamente na web e ISSO é web 2.0.

    Gostei muito da sua matéria e é bastante verdadeira quanto ao desenvolvimento de websites, mas pecou apenas no uso do termo, pois web 2.0 é apenas o conceito de utilizar de ferramentas colaborativas, onde as pessoas possam interagir com a marca e com os outros visitantes, favorecendo a web com a sua maior vantagem, que é o número de usuários.

    O termo certo para sua matéria é webstandards, que esses sim, são o conjunto de normas padrão para desenvolvimento web!

    Parabéns novamente pela matéria!

  2. Igor Escobar Fev 29th 2008 at 03:00 pm 2

    Cesar, sinceramente, não acho que eu errei.

    Existem os 2 lados da face onde para os usuários é isso que você falou, mais para os desenvolvedores, web 2.0 é também tudo o que a originou.

    Web standards é uma delas, e ainda persisto que Web 2.0 é o termo correto.

    Neste artigo falo da Web 2.0 focado em seus conceitos e as FERRAMENTAS usadas para aplica-la.

    A Web 2.0 dentre outras coisas, para nós desenvolvedores, os conceitos estão além do que somente uma alteração no paradigma de navegação e interação.

    Para nós, quando se referimos em Web 2.0 falamos de Ajax, Falamos de Web Standards, Semântica, Conteúdo colaborativo, JsFx, Tableless e tudo isso que proporcionou o que temos hoje.

    Mas obrigado por seu comentário, obrigado por sua ativa participação no blog é de muita importância para mim ;)

  3. Cesar Zeppini Fev 29th 2008 at 07:41 pm 3

    Volto a discordar. Hoje sou responsável pela área de web 2.0 da Brochura.com, empresa de marketing na internet, e é justamente este fato que procuramos sempre desmistificar da mente dos desenvolvedores. Muitas ferramentas da web 2.0 são sim feitas com Ajax, nos webstandards, etc, etc, mas isso não quer dizer que uma coisa seja a outra.

    A tecnologia em si (parte técnica) não é parte do conceito. A web 2.0 não possui esses 2 lados como você disse.

    Se eu disse que todo fórum é ASP eu vou estar mentindo certo? Fórum é uma ferramenta colaborativa que permite a interação de usuários na troca de informações.. sim, ele pode ser feito em ASP, mas pode ser feito em PHP também ou outras linguagens dinâmicas.

    O mesmo ocorre com a web 2.0. Ela pode ser feita nos webstandards sim, com ajax ou o que mais vier na telha se falando das novas tecnologias, mas web 2.0 não é isso. Web 2.0 é um conceito, como eu já disse, da nova relação humano X humano através do computador.

    O que quero dizer é: podem ser utilizadas as tecnologias mais precárias.. o site pode ser feito totalmente em tabela, com código “sujo” e totalmente fora de webstandards. Mas se o site possuir as ferramentas que fazem essa interação que te disse (que é realmente o que mudou na internet e, por isso, recebeu o rótulo de 2.0), ele vai continuar sendo web 2.0. Web 2.0 não depende da ferramenta, e sim, da interação colaborativa que o site cria, seja em posts de vídeos, seja em fóruns, blogs, microformats, etc.

    É uma convenção fazer sites web 2.0 usando as tecnologias mais novas? Sim, mas isso não quer dizer que uma coisa se transforma na outra!

    Peço que leia o artigo do Wikipédia sobre Web 2.0 e a história dessa conotação. Você verá logo nas primeiras linhas sobre o que estou falando:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0

    Abraços

    =)

  4. Igor Escobar Fev 29th 2008 at 07:47 pm 4

    Então me responsa o seguinte:
    O NetVibes é um projeto que é referenciado em todos os cantos do mundo como Web 2.0.

    Veja ele, retire tudo o que eu disse que você afirmou não fazer parte do conceito de Web 2.0 e me diga se este projeto daria certo e seria chamado de Web 2.0.

    Desculpe mas você ainda não me convenceu independente do que você tenha lido no Wikipedia.

    Abraços.

  5. Cesar Zeppini Fev 29th 2008 at 08:38 pm 5

    Mas não é questão de convencer ou não. Não estou aqui para catequizar ninguém. Na nossa empresa fazemos palestras sobre as possibilidades da web 2.0 e a tecnologia que envolve isso nem é citada, pois a tecnologia não importa nos conceitos da web 2.0.

    Você deu o exemplo do Netvibes. E o que uma coisa tem a ver com a outra? Ser web 2.0 não quer dizer que vai dar certo, mas tem sim que ser rotulado como web 2.0 independente da tecnologia usada, pois web 2.0 é o conceito empregado.

    Agora me diga. Sites de vários jornais já estão empregando a política de comentários sobre notícias, podcasts, vídeos ou qualquer outra sessão onde o usuário pode inserir conteúdo (web 2.0) e vários desses sites não são feitos na melhor das tecnologias (pois não precisam) e muitas vezes não estão nos padrões corretos. Mesmo assim ainda são web 2.0.

    O Youtube quando foi lançado não estava nos padrões de webstandards e usava um player de flash comum, mas não é por isso que deixava de ser 2.0, pois era o usuário quem alimentava aquilo com conteúdo através de uma ferramenta colaborativa de upload de vídeos, e ISSO é o que faz a web 2.0, e não a tecnologia usada por traz disso. Como eu disse, virou uma convenção unir os dois, mas web 2.0 é web 2.0, webstandards é webstandards, e por mais que misturem os 2, um não é o outro ou vice-versa.

    Como eu disse, não estou aqui para ensinar o porque a caneta se chama caneta, mas todos sabemos que ela serve para ESCREVER independente se ele é feita de plástico, metal ou outro. Com a web 2.0 é o mesmo. O rótulo, como você pode ver no wikipédia ou qualquer outra fonte séria onde for consultar, começou a ser usado por causa do CONCEITO empregado na web e não das novas tecnologias. =)

  6. Igor Escobar Fev 29th 2008 at 08:47 pm 6

    Então tranquilo.
    Acredito que poderemos ficar aqui retrucando até a web 5.0 chegar e não chegaremos em um concenso.

    Abraços.

  7. Diogo Souza Mar 2nd 2008 at 02:02 pm 7

    Definição e Conceito a parte, o artigo descreve bem o que acontece, não só com Web 2.0 como , as vezes, adoção ou migração para SOA.

Trackback URI | Comments RSS

Leave a Reply